30 setembro, 2007

Rosa Albardeira







Sementes da rosa albardeira, uma das plantas típicas, embora não exclusiva, do Barrocal. Floresce na Primavera

07 setembro, 2007

A Alcachofra





Filha das águas e da terra,
para quem lhe almeja os dons
é corpo numa veste de recusa.
e na sua beleza obstinada
bem no cimo lá da haste
lembra uma jovem cristã
que cota de espinhos usa.


Ibn ‘Ammâr
(1031 – 1084)
Trad. Adalberto Alves





A Alcachofra ou cynana scolymus é uma planta herbácea vivaz da familia das Asteráceas, vulgarmente conhecida por cardo – de – comer.
Originária de climas quentes, é característica da bacia do Mediterrâneo. É plantada no início da Primavera, em solos ricos, bem drenados e expostos ao sol e florescem no Verão.
Fisicamente possui caule canelado, grosso e direito, folhas grandes e alongadas com extremidades espinhosas, têm a face superior verde-acinzentada e a face inferior esbranquiçada e lanosa. As flores são de cor púrpura esverdeada, rodeadas de bráteas grossas parecidas com as folhas. A sua imagem marca o aspecto dos campos algarvios no início do Verão.
Usada na culinária, esta planta é rica em vitaminas A e C. Quando tomada como infusão é um eficaz estimulante hepático e remédio digestivo.

25 agosto, 2007

Rio Arade


Em atravessando o rio, morri!

Jamais outra verdade foi mais lúcida!

Morrerei, pois atravesso pelo meu pé a ultima

ponte que me separa da minha boa vontade.


Só eu, que me declaro o maior pecador,

só eu transporto o fardo das matérias impossíveis,

inflamáveis, venenosas, calando, calando sempre

aob o signo da concórdia

as afrontas que nenhum coração quer.


Atravesso a pé. Deixo Caronte surpreso.

De Portimão a Ferragudo imagino a

minha história como um desenho animado

construído em sucessivas analepses.


Atravesso a pé e ando em frente,

mas a minha história moira roda ao contrário

e somos, assim mesmo, eu e a memória,

uma bela mandala imaterial.



Pedro Miranda Albuquerque

24 agosto, 2007

Al – Kuthayyir, uma despedida…

“Na hora do adeus, o corvo as asas vi bater
E julguei que no voar levava o meu coração.
Só ele foi alegre naquele entardecer,
e não falso ao mostrar luto então.”

23 agosto, 2007

Ponte do Chocanal



A Ponte do Chocanal situa-se sobre a ribeira do mesmo nome, perto do Crato, no Alto Alentejo. Trata-se de uma sólida construção em alvenaria de granito que data provavelmente do periodo medieval.

31 julho, 2007

Al - Kuthayyir, um "louletano" do séc. XIII




“O que me dá prazer não é o vinho, não!
nem a música, nem o canto.
Apenas o estudo é o meu encanto,
e a pena, qual espada sempre à mão.”



Abu – L – Rabi Sulayman ibn’ Isa al – Kuthayyir que terá vivido na al`- ‘Ullyã do séc. XIII foi um dos vários poetas luso – árabes cujo legado enriquece a nossa cultura tanto ao nível do literário como do espiritual.
Este pequeno poema parece remeter, segundo os estudos de Adalberto Alves, para o ideal da cavalaria espiritual, uma das vias do sufismo. Esta via do pensamento sufi persupõe um esforço intelectual com vista ao aperfeiçoamento espiritual para uma aproximação de Deus. A espada simboliza o poder do intelecto na polaridade paz/guerra que se traduz numa batalha interior.
Al – Kuthayyir atingiu alguma fama enquanto literato tendo vivido em Sevilha e depois em Bugia. Provavelmente devido a alguma critica nos seus escritos direccionada a elementos com poder na sociedade, foi açoitado e espancado em praça pública e depois expulso para além mar, onde se estabeleceu em Minorca.