25 setembro, 2008

Burro de Chefchaouen


Esta foto foi tirada pelo Marco nas montanhas de Chefchaouen, uma típica aldeia no Norte de Marrocos onde a vida e alguns hábitos na antiga medina seriam muito idênticos aos das nossas vilas e aldeias.
Para saber mais sobre Chefchaouen pode ler-se o que foi escrito aqui.

22 setembro, 2008

Figueira da India



Opuntia ficus - indica - Também conhecida por Figueira da Barbária ou Piteira.
Nativa do México é visível praticamente em todas as regiões tropicais e sub-tropicais do mundo.




A figueira-da-índia característica das paisagens do sul possui, para além do sabor dos seus frutos algumas utilidades medicinais conhecidas desde tempos antigos.
Esta planta desenvolve-se em terrenos secos e pedregosos como os do Barrocal e parte da costa pois armazena bem a água nas suas pás suculentas. As flores são grandes, e cor amarela ou vermelha, e o fruto também suculento de cor alaranjada quando amadurecido pelo sol. Está protegido por uma cobertura de inúmeros espinhos pequenos e muito finos que é necessário tirar com muito cuidado em água a ferver.
Mas se muitas pessoas se aventuram, apesar das contrariedades, a manusear o figo porque conhecem o seu sabor, poucas serão aquelas que conhecem as propriedades de todos os elementos da planta. O fruto, pode funcionar tanto como adstringente, como o sumo pode ser um xarope calmante da tosse; As flores têm propriedades diuréticas e anti espasmódicas, usam-se em caso de oligúria e outras inflamações na bexiga; por sua vez, as pás podem ser utilizadas como emolientes devido à abundância de mucilagem e celulose.
É interessante verificar como este tipo de plantas que fazem parte da nossa paisagem e memória visual, enriquecendo-a do ponto de vista estético, possuem para além disso utilidades medicinais comprovadas.

05 setembro, 2008

Gárgula


Uma bonita gárgula na Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, em Silves.

19 agosto, 2008

Culto do Sol?!


Diz-se que no culto do sol que era feito em tempos antigos, o astro-rei era simbolizado por uma pedra menir e que posteriormente se verifica o culto das pedras mesmo associado a figuras e divindades antropomórficas, comum em quase toda a Europa, nomeadamente em locais isolados onde a própria natureza detinha um forte impacto magnético sugerindo a presença do divino. Como outros cultos e crenças populares com raízes longínquas, é interessante pensar que poderá ter persistido no tempo, sobrevivendo em “pequenos” vestígios comportamentais.
Em 1894, Leite de Vasconcelos, visitou a costa vicentina e o promontorium sacrum, onde testemunhos antigos denunciam o culto das pedras como evocação do Sol, em busca de alguns vestígios que lembrassem o passado. Impressionou-se com o facto de encontrar a superstição dos moledros ou moledos, isto é montículos de pequenas pedras que o povo costumava manter ao longo da costa cuidando deles como de coisa importante e de respeito. Colectou ainda algumas notícias acerca das superstições dos moledros…



Sugestiva foto de Fevereiro de 2008, algures na Costa Vicentina.

25 julho, 2008

Barcos na Ria

http://www.flickr.com/photos/susecris/1411400853/


Barcos na Ria






Os barcos que na ria

traçam rápidas vias

de espuma e o meu dia desafiam

saltam à luz que é musica

aumentando

até quase tornar

impossível abrir os olhos neste dia

que verdadeiramente não parece

meu como noutra idade eu o sentia

O sol dilata e faz subir o céu

desconhecidos

os corpos contra a água

verde e azul agora calma frente à casa

Nenhum barco

já passa há um

silêncio que só o diminuto

murmúrio da maré crescendo

molha Mas outros barcos vêm e recortam-se

velozmente na água que retalham




Este poema de Gastão Cruz pertence ao livro Crateras publicado em 2001, embora tenha sido retirado da colectânea Algarve todo o mar, publicado pela Dom Quixote.
Gastão Cruz é um poeta de Faro, nascido em 1941, que se torna conhecido do público essencialmente por pertencer, juntamente com poetas como Ramos Rosa ou Casimiro de Brito, à denominada "Poesia 61". Este movimento estético-literário, se assim se pode dizer, desenvolve uma obra poética inspirada em pricípios ligados à revalorização da forma e sobretudo à importância da palavra em sim mesma relativamente à mensagem veiculada. Segundo os críticos, para esta Geração de 60 importa sobretudo o valor da Palavra enquanto objecto centra do texto poético. Nesta medida desenvolve, entre Abril de 1958 e Fevereiro de 1960, os Cadernos do "Meio-Dia", cujo próprio nome sugere temáticas, ou metáforas, ligadas ao mediterrâneo.
A poesia de Gastão Cruz parece sofrer sempre a influência das ideologias que determinaram aquele movimento, nomeadamente no que respeita à estética e à centralidade da Palavra. Esta é vista como um ponto vital a ser trabalhado, a personagem principal do poema a partir da qual se pode construir sentido(s). Neste processo estamos perante uma poesia muito rica e culta onde se percebe uma grande intertextualidade que (também) conduz o leitor a outros caminhos. É, para além disso, uma poesia cujas temáticas apontam muito para o real e o concreto permitindo percepções quase objectivas da leitura.
Licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Gastão Cruz é docente do ensino secundário. Para além da poesia tem desenvolvido trabalhos como critico literário em publicações como Diário de Lisboa, Seara Nova, Colóquio/Letras e A Critica, que originaram, por exemplo, A Poesia Portuguesa Hoje, obra de referência relativa à produção poética da década de 70. Para além de vasta obra obra literária e de critica, traduzida em vários países, e de poemas publicados em várias Antologias e Publicações Colectivas, tem ainda desenvolvido diversos trabalhos na área da produção teatral.

15 julho, 2008

Quarteira - Placa Topinímica do ACP



Placa topinímica do Automóvel Clube de Portugal que marcava, em Quarteira, a entrada da vila. Estas placas foram colocadas pelo ACP no inicio do séc. XX nas principais localidades e vias de comunicação de forma a orientar os viajantes do turismo que se desenvolvia, mas também como uma marca de distinção e referência.
Estas placas são constituidas por letras individuais feitas em série e pintadas á mão em quadrados de azulejo que são agrupados formando as palavras pretendidas. No cimo do topónimo é visivel a sigla do ACP em letras entrelaçadas.
É de todo o interesse preservar este património na medida em que traduz a memória e retrata uma época e uma sociedade cultural com uma história e uma identidade própria.
Acerca destas e de outras placas toponímicas pode ler-se o artigo escrito aqui.